Peróxido de hidrogênio: tecnologia para combate de germes multiresistentes.

Apresentamos no IV Congresso Centro/Sul de Infectologia, ocorrido em Foz do Iguaçu, de 27 a 29 de junho de 2024, o trabalho entitulado “Desinfecção pelo vapor de peróxido de hidrogênio no transplante de fígado: efeitos na colonização por organismos multirresistentes e desfechos de pacientes.” 

O peróxido de hidrogênio é uma tecnologia de desinfecção que visa reduzir a contaminação do ambiente por germes multi-resistentes, que são um problema de saúde pública.

Segue o resumo do trabalho, logo abaixo o link da apresentação.

Introdução: A escalada das infecções por organismos multirresistentes (MDRO) pós-transplante de fígado (LT) representa riscos significativos, com a colonização por MDRO amplificando a suscetibilidade à infecção. A desinfecção ambiental é crucial para conter as infecções associadas à assistência à saúde (IRAS). A tecnologia de vapor de peróxido de hidrogênio (HPV) oferece promessas, mas seu impacto nas infecções por MDRO e nos resultados dos pacientes ainda não está claro. Métodos: Um estudo de coorte incluiu 58 receptores de LT adultos, comparando os resultados antes e depois da implementação rotineira do HPV. A desinfecção por HPV seguiu a limpeza terminal em salas cirúrgicas e boxes de UTI. Os dados dos patógenos incluíram colonização por MDRO no pré e pós-transplante. Os dados clínicos abrangeram características dos receptores, gravidade da doença e características do binômio doador-receptor. As análises estatísticas avaliaram associações e resultados. Resultados: 27 pacientes estavam no grupo antes do HPV, 24 no grupo após o HPV. As características demográficas e clínicas foram comparáveis entre os grupos. A implementação do HPV aumentou significativamente a probabilidade de resultados negativos nos swabs de controle (razão de chances 2,33). Klebsiella pneumoniae carbapenemase foi o patógeno mais frequente, com infecções do sítio cirúrgico sendo o local primário mais comum. Pacientes com swabs negativos tiveram internações hospitalares mais curtas (diferença média de 10,54 dias), divergindo notadamente por volta do 8º dia de internação. A frequência de IRAS e a mortalidade em 90 dias foram significativamente menores em pacientes com swabs negativos. Conclusão: A tecnologia de HPV reduziu efetivamente a colonização por MDRO em receptores de LT. Swabs negativos se correlacionaram com internações hospitalares mais curtas e menor frequência de IRAS, impactando positivamente a mortalidade em 90 dias. Apesar dos desafios na implementação do HPV, sua eficácia na redução da colonização por MDRO sugere uma ferramenta valiosa nas estratégias de controle de infecções para populações vulneráveis como receptores de LT.

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